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É o preço!



         A linguagem é produto da cultura. É o resultado do patrimônio histórico e existencial de um povo constituída da experiência existencial coletiva e da dinâmica pessoal. Essa conjunção constrói a cultura coletiva profundamente tributária do Inconsciente coletivo.

         Posto como está a nossa linguagem é sensível aos valores que esposamos e nossa leitura de mundo, de realidade. Daí que aquilo que falamos ser subproduto do que pensamos, sentimos, desejamos e cremos, e nesse sentido é como dizia o filosofo Heidegger, a linguagem fala. O que quero dizer com isso? Que a linguagem é filha de nossos conceitos como fluir de quem somos enquanto ser-no-mundo. Por ser fruto de nossos conceitos é mais que óbvio que também é filha de nossos preconceitos.

         De maneira que a linguagem como fenômeno particularmente humano está suscetível aos valores que emanam do grupo que se está imerso, inserido. Por conta dessa inserção a linguagem está completamente aberta a toda forma de discurso ideológico e preconcepções das mais variadas. O que acabo de afirmar não é diferente para os evangélicos, enquanto subcultura; ao contrário, esses notadamente estão expostos aos perigos dessas preconcepções. Não é sem motivos então que muitas ideologias preconceituosas tem plasmado o vocabulário e porque não dizer o imaginário dos evangélicos e podem ser facilmente identificadas. Por exemplo:
- Quem não vem pelo amor vem pela dor!

         No caso particular, o tema de fundo aqui que é a salvação sendo instrumentalizada pelo sofrimento. Um terrível preconceito, visto que em nenhum lugar da bíblia tal despautério é afirmado.  Quer outro? La vai:
- Se está dando certo é de Deus!

         Bem, esse é tão autoevidente em sua preconcepção, carente de fundamento bíblico, fruto direto do pragmatismo filosófico que sua refutação é prima faciens. Mas continuando o tirocínio inaugural quero destacar nesse caldeirão borbulhante de preconceitos que tempera a cultura gospel um que tenho ouvido muito reiteradamente:

- É o preço!

         Expressão utilizada para explicar algumas situações de adversidades ou conjunturas desfavoráveis que acometeram cristãos que tenham por um motivo ou outro cometido um pecado publico e notório. Destaco esse preconceito por razões bem definidas, isto é, porque reputo ser esse altamente periculoso para fé cristã, além, de destilador de um tipo perverso de falso moralismo que não pode ser tolerado sem renhida, racional e bíblica oposição, visto que ele acaba em seu desdobramento esbarrando diretamente com a obra consumada de Jesus, o que veremos ao longo desse mosaico.

O que é pagar o preço?

         Nesse caminho traçado é impositivo primeiramente analisar o significado da expressão: - É o preço. Que mensagem essa expressão quer comunicar? Respondo, preço representa a relação direta entre o pecado cometido e a situação concreta vivida pelo pecador. Isto é, o liame entre o delito espiritual cometido e a cominação da pena tipificada em termos de uma tragédia pessoal ou situação de exposição ou adversidade extrema. Tal abordagem guarda absoluta harmonia com a própria definição do termo preço, que no dicionário da língua portuguesa Larousse é definido como: valor de uma mercadoria, recompensa, prêmio, enfim.

         Qual a ameaça de semelhante afirmação? Muito em todos os casos, pois, quando alguém diz: - É preço! Ele está sublinhando a ideia de que a condição desfavorável que aquele que pecou está passando é exata recompensa pelo seu pecado. Algo extremamente comprometedor. Eu chamo tal posição de casuísmo gospel, que retrata a velha concepção teológico-filosófica da relação causa/efeito. Que o reverendo Caio Fábio chama de Zumbi perambulante: A Lei morreu em Cristo, daí a Teologia Moral de Causa e Efeito dos amigos de Jó não passar de um Zumbi que perambula pela Terra vampirizando as almas dos homens que julgam ainda haver barganhas a fazer com esse encosto espiritual (Fábio: 2005, p.24).  

         A pergunta que faço a quem faz tal tipo de correspondência causa e efeito é: como se determina precisamente que aquilo que o crente está passando é resultando de seu pecado, sem cair em conjectura grosseira e especulativa? A resposta é não há como saber! Na verdade todo tipo de avaliação dessa natureza desemboca na velha teologia dos amigos de Jó. Ou seja, Jó estava colhendo a consequência dos seus pecados! Era o preço! Porém, lembram-se da resposta de Deus a tal exercício de teologia casuística? Não, vou ajuda-los: “7 Tendo o SENHOR falado estas palavras a Jó, o SENHOR disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.” (Jó 42.7).

          Ainda há um problema nesse tipo de argumentação explicativa, qual é? Como elucidar as adversidades na vida daqueles que não cometeram o tal pecado publico na mesma ocasião? É mais ou menos assim: se o crente que cometeu um escândalo contraiu câncer, por que razão o crente que não escandalizou também contraiu? Se o crente que caiu em pecado perdeu o emprego, por que motivo o que não caiu em pecado também perdeu? Compreenderam a lógica?

         Ninguém exceto Deus pode com exatidão, sem se afundar no brejo fétido do juízo de valor indevido afirmar que uma determinada situação concreta e tópica que acometeu a vida de um crente que pecou seja fruto imediato desse pecado. Quem tem esse tipo de pensamento e falar deve refletir mais detidamente na advertência de Cristo sobre o exercício de juízo de valor sobre as pessoas: “Não julgueis, para que não sejais julgados.  2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.” (Mt 7.1-2).

Pagar o preço, que preço?

         Outro grande perigo de tal expressão resulta na colisão dessa declaração com os efeitos da obra redentiva de Deus em Cristo e o fruto do perdão divino na cruz. O que estou afirmando é que nenhum crente paga, pagou ou pagará o preço do seu pecado! Dizendo de outra forma, qual a exata recompensa do pecado? Ou o que seria o crente pagar o preço que seu pecado exige? Essa é fácil, morte eterna como ensinou Paulo: “23 porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.“ (Rm 6.23). Essa morte aqui é eterna, e aprova reside na relação de paralelo antitético que Paulo faz entre morte e vida eterna. O que era presente na argumentação rabínica daquela época. Escutem, porque o que vou dizer é muito importante, a morte eterna e nada menos que isso é o preço exato pelo pecado.

         Agora pra refrescar a memoria é bom lembrar que Jesus pagou a penalidade do pecado na cruz. Ali o salário, consequência e preço de nossa alienação de Deus foi cabalmente pago. Essa verdade retumbante foi profeticamente anunciada por Isaías antes mesmo do advento do messias: “4 Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.  5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.  6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Is 53.4-6). Aqui quando o profeta fala castigo: mûsar, ele tem em mente preço. O autor de hebreus lança mais feixes de luzes nesse fato quando pontifica que a redenção tem repercussão eterna, perpassando todo tecido histórico linear do crente: “11 Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação,  12 não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.” (Hb 9.11-12).O que é redenção? Redenção(apolytrwsis, g’ullah)  é o resgate do preço do pecado por meio do valor vinculante da morte substitutiva de Jesus na cruz. Assim é a perspectiva da Enciclopédia da Bíblia da Cultura Cristã:

 Redenção envolve a ideia de restaurar alguém que possui um direito ou interesse anterior. O cerne da mensagem bíblica da redenção é a libertação do povo de Deus dos grilhões do pecado, por meio do perfeito sacrifício substitutivo de Jesus Cristo e sua subsequente restauração a Deus e ao seu reino celestial (Enciclopédia da Bíblia, SP, 2008, VL – 5, p.87).

         Repercute tal visão o afamado teólogo batista Augustus H. Strong ao definir o termo justificação: Se existe justificação, deve ser não um ato que torna o pecador absolutamente santo, mas um ato de Deus que declara o pecador livre das penas legais do pecado (Strong: 2003, VL -2, p.1513).

         Quais as implicações de tudo isso? Cristo morreu para pagar o preço do pecado, esse é o cerne e a consequência da redenção, portanto, qualquer pecado (exceto o imperdoável) cometido pelo crente já teve o seu preço pago, não restando nenhum preço residual a pagar. A conta, o débito foi completamente quitado! Aqui muitos berram de agonia:

 - E as consequências?

         Existem, mas estas consequências nem sempre são imperativas ou estabelecem uma relação imediata (como os casos de Abraão quando mentiu sobre sua situação conjugal e Pedro ao negar a Jesus deixam fora de disputa), nem tão pouco podem ser confundidas com preço, visto que não passam de disciplina (paideía) de Deus, que nada tem haver com preço, pois, é o exercício prático e experimental da santificação do Eterno na vida dos seus filhos (Hb 12.7-12; 1 Co 11.30-32).

         Tem mais tal forma de falar desconsidera a magnitude do perdão fruto do sincero arrependimento. Notem isso, quando se estabelece uma conexão muito estreita e absolutamente imediata entre o pecado e os seus resultados conjunturais. De certa forma ignora-se que há uma medida interventiva que desconecta tal nexo causal, que se chama perdão, prometido por Deus a quem genuinamente se arrepende. É essa medida intervencionista de Deus que o apóstolo João destaca em sua epístola: “9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 Jo 1.9).Agora o que é o perdão (apolyein,aphêsis,paresis, charizesthai; kipper, nasa, s’lîhah)? É o tratar a ofensa como se ela nunca houvesse sido cometida. A Enciclopédia Histórico-teológica da Igreja Cristã assinala o seguinte sobre o perdão:

Nenhum livro de religião, a não ser a Bíblia, ensina que Deus perdoa completamente o pecado. Nela a doutrina é ensinada com frequência, como, por exemplo: “Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei” (Os 14.4); “Deus em Cristo vos perdoou [echarisato, perdoou graciosamente]” (Ef 4.32); “Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre” (Hb 10.17). A iniciativa desse perdão está com Deus, especialmente no uso de charizesthai por Paulo (2 Co 12.13; Cl 2.13). É um perdão completo, conforme revela a parábola do filho pródigo, ou do “pai gracioso” (Lc 15.11-32). (Enciclopédia Histórico-teológica, SP, 2009,VL-3 p.137).

         assinalou Jeremias: “33 Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.  34 Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.” (Jr 31.33-34).E cristalizou Jesus na oração modelo (Mt 6.12).É obvio que se há provisão divina de perdão para o pecado, há um caminho aberto para a probabilidade de suas consequências materiais também serem absorvidas no próprio decreto do perdão divino.

         De fato a ideia de preço presente no discurso de muitos crentes não passa de exercício especulativo de juízo de valor descabido e temerário. Davi que é um exemplo clássico aditado pelos adeptos desse modismo, não pagou esse preço, visto que foi perdoado; isto é, o que aconteceu com ele poderia ser fatalmente pior, se de fato ele tivesse pago o tal preço: “13 Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás.” (2 Sm 12.13).

         Observem, se Davi tivesse realmente pago o preço ele teria sido sumariamente morto e com desdobramentos eternos. Sabe por que isso não ocorreu? Porque o perdão se interpôs atenuando os efeitos do seu pecado. Daí por conta disso que não perdeu seu trono, nem deixou de ser rei. De fato, o perdão requer restituição de tudo àquilo que o pecado coloca em risco ou confisca.

          Infelizmente tem muitos crentes não tem o devido apreço por esse homem de Deus, por conta de seu pecado pessoal e público. Não atribuem a ele o exemplo de servo de Deus, de adorador e de crente fiel. Posição infelizmente bastante reproduzida no tocante a outros lideres em situação análoga ao rei de Israel. A ironia é que esses parecem ser mais santos do que o próprio Deus que revelou a sua palavra, pois, que a visão de Deus sobre Davi é muito mais positiva e favorável do que a destes: “Sucedeu, pois, que, tendo acabado Salomão de edificar a Casa do SENHOR, e a casa do rei, e tudo o que tinha desejado e designara fazer,  2 o SENHOR tornou a aparecer-lhe, como lhe tinha aparecido em Gibeão,  3 e o SENHOR lhe disse: Ouvi a tua oração e a tua súplica que fizeste perante mim; santifiquei a casa que edificaste, a fim de pôr ali o meu nome para sempre; os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias.  4 Se andares perante mim como andou Davi, teu pai, com integridade de coração e com sinceridade, para fazeres segundo tudo o que te mandei e guardares os meus estatutos e os meus juízos,  5 então, confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre, como falei acerca de Davi, teu pai, dizendo: Não te faltará sucessor sobre o trono de Israel.”(1 Rs 9.1-5 ver 2 Rs 22.1-2) (grifo meu).

          Aqui fica patente o quanto de preconceito está enfronhado em certos arroubos de piedade e defesa da honra de Cristo! Para ser bem sincero nosso julgamento sobre o outro diz mais sobre nós mesmos do que aqueles que julgamos! Nesse ponto penso que Lutero é particularmente importante:

 É impossível que qualquer filho de Deus peque. Mesmo assim é verdade, ao lado disso, que ele peca. No entanto, pelo fato de se lhe perdoar, mesmo pecando, na verdade não peca. Ele perdoa os que assim confessam e faz com que pecadores não sejam pecadores (Lutero, RS, 1987, VL – 1, p.367).


         Portanto, nenhum crente paga o preço do pecado porque possui um poderoso e suficiente advogado (1 Jo 2.1-2). Nenhum crente paga o preço do pecado porque isso já foi pago definitivamente pelo nosso cordeiro Azazel no iom Kippur do Calvário (Jo 1.29; Lv 16.9-10). Nenhum crente paga o preço do pecado porque no tribunal cósmico o juiz celeste o absolveu definitivamente (Rm 5.1-3; 8.31-34). Pense Nisto!


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