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Mostrando postagens com o rótulo linguagem

A autorrevelação divina e o trabalho do teólogo reformado

  Nossa atividade como teólogo público depende fundamentalmente do fazer teológico. Por seu turno esse fazer é oriundo da percepção hermenêutica de que Deus se comunica com sua criação moral criada a sua imagem ( imago Dei ), ou seja, o entendimento de que Deus falou com sua criação. Esse falar, obviamente, é mediado ( Vermittelte ), ele não chega em nós num discurso divino literal, mas ao contrário, é desvelado, adaptado e contextualizado a nossa condição de criaturas, nossos limites e fragilidades essenciais; isto é, de entendimento, de imaginação e percepção, como explicitou R.C. Sproul: Deus se dirige a nós em nossos termos, e, porque ele nos fez à sua imagem, há uma analogia que nos proporciona um meio de comunicação com ele (Sproul- 2017). Esse meio usado por Deus para se descortinar à sua criação a teologia vai designar de revelação ( g’lâh, apokalepsis, phanêrosis ). Revelação é, portanto, a forma como Deus se desvela, se descobre (epistemologia) para sua criação naqu...

Por que é importante na análise a linguagem?

  A teoria psicanalítica, ao se debruçar sobre o estudo da linguagem, concentra-se não apenas nos momentos em que a linguagem se expressa claramente (se isso realmente é factível) mas, notadamente, nos momentos em que ela falha, tropeça ou se desvia, ou clareando mais o argumento que (Nasio-1993)   os psicanalistas certamente se interessam pela linguagem, mas se interessam unicamente no limite em que a linguagem tropeça . O interesse na análise, portanto, pela linguagem perpassa a comunicação eficiente, explorando as facetas e complexidades que surgem quando a linguagem não consegue plenamente capturar e evidenciar a experiência humana. Dessa forma, a atenção aos tropeços da linguagem é motivada pela compreensão de que muitas vezes é nas falhas, ambiguidades e lapsos que se revelam, se explicitam e exteriorizam aspectos inconscientes, do mais que falar, do discurso do sujeito. A análise, perfilando a referência teórica inaugurada por Sigmund Freud e relida e recriada por Ja...

Inconsciente e linguagem: Pensando a abordagem lacaniana do inconsciente

  “O inconsciente estruturado como uma linguagem” Jaques Lacan .     Essa frase de Lacan traz a discussão o significado de que, a estrutura mais profunda do nosso ser psíquico, pelo menos em conceituação é organizado de maneira similar à estrutura de nossa linguagem. Em outras palavras, ele sugere que a forma como pensamos e processamos informações dentro da estrutura e na própria dinâmica da nossa inconsciência segue padrões linguísticos de comunicação, apresentando uma relação profunda e interativa entre a mente e a linguagem. Nesse sentido, essa teoria de Lacan de que o inconsciente é estruturado como uma linguagem tem várias implicações significativas, vejamos algumas:   1.     Centralidade da Linguagem na Psique : A linguagem é vista como fundamental na formação da psique humana. Isso implica que a maneira como expressamos, interpretamos e compreendemos as palavras e símbolos desempenha um papel crucial em como nossa mente opera. ...

O inconsciente e a Linguagem

O inconsciente se estrutura como linguagem, como discurso. Essa linguagem/discurso envolve o signo e a metalinguagem. É dentro dessa engrenagem da linguagem que o inconsciente se move no sentido de tentar estabelecer (lançando-se da base de lançamento do subjetivo) o primado do prazer (vergnüngen) no universo de nossa vivência ( erfahrung). E prazer aqui é utilizado no sentido mais lato que se possa imaginar fugindo a todo custo da interpretação minimalista do sexocentrismo que alguns eivam a escrita de Freud sobre o tema. Portanto, é  a atividade desse inconsciente discursando através dos sonhos, dos atos falhos (que na verdade são bem sentido), das obsessões, de algumas doenças somatizadas, enfim, o responsável por muitas ‘má’ colocação, arroubos e explosões do temperamento, ‘má’ escolhas,  indisposições ou hiperatividade sexual, enfim, que gosto de designar como sabotamento existencial. É, sem dúvidas,  decisivo está atento a essa ingerência  inconsciente ...

Autismo um olhar - Universo Linguistico

Universo Linguístico (continua no próximo post) A linguagem é o signo que nos representa e caracteriza nós os falantes, por meio dela nos comunicamos, nos conectamos interagimos e construímos o tecido social, se isso já foi verdade no passado imaginem nessa nossa era (eon).   De fato existimos num mundo saturado de opções de comunicação. Quem não domina os signos da linguagem está vivendo a margem deste mundo, mas também da interação social e construído mesmo sem perceber uma fortaleza não-comunicativa inexpugnável. Entretanto, verdade é que muitos não conseguem utilizar se das ferramentas da linguagem no sentido de estabelecer uma comunicação desejável, ou seja, existem indivíduos relativa ou absolutamente incapazes de verter em comunicação todas as múltiplas opções sígnicas que temos a la carte. Dentro desse âmbito dos que apresentam salientes déficits na linguagem tanto verbal como não verbal está os que sofrem do transtorno do espectro autista (TE...