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Mostrando postagens com o rótulo Igreja

Vocação chamado divino

A doutrina da vocação ( klêsei ) é um antídoto eficaz para o carreirismo ministerial e loteamento de cargos que dista de tempos imemoriais na história do povo de Deus, mas tem assumido lugar de destaque em nosso tempo moderno liquido. Um bom exemplo desse tipo de prática nociva está na troca de oficio de diácono para presbítero (o interessante é que o inverso é muito raro) onde o indivíduo se diz vocacionado para o diaconato, é escolhido e ordenado, ou seja, investido solenemente no oficio e quando surge vaga para presbítero, ele abandona o oficio de diácono (e sua suposta convicção vocacional) para concorrer ao presbiterato (conheci alguns casos desses em minhas lides pastorais!!!).Não é sem motivo que se tem péssimos oficiais conduzindo os rumos da igreja local e um nível tão medíocre nos concílios. Sem falar que, em certos casos, bons diáconos tornam-se péssimos presbíteros.   Fato é que as igrejas estão permeadas desse tipo de fisiologismo que empresta para o digno oficio min...

Precisa-se de pastores

O processo de esvaziamento conceitual, a incorrespondencia entre conceito e conteúdo, a relativização de princípios e doutrinas cruciais e definidoras tem tomado de assalto a igreja histórica, militante (visível) com truculência e virilidade. Por força de reação inúmeros institutos, princípios, visões sofreram profundíssimas alterações.   Uma dessas alterações pode ser observada no ministério da Palavra. O pastor, ministro do Evangelho tem sido confundido atualmente com gerenciador empresarial, coach, mentor piramidal, terapeuta motivacional, contador de história, produtor de cartase, enfim. É importante afirmar que o pastor não é nada do que foi identificado acima! Muito embora, muitos aspectos do que foi listado estejam intrínsecos no ministério do pastor, tal como liderança de pessoas, gerenciamento de recursos, mentoria, enfim, ele não deve ser confundido com as profissões e atividades elencadas.   O pastor é cura d’alma, apascentador de vidas, cuidador de ge...

Quando uma igreja deixa de ser igreja

A forma como a Revelação nos apresenta a igreja de Jesus nos documentos canônicos da nova aliança força o reconhecimento de sua natureza dual, ambivalente: Invisível e visível. O Novo Dicionário da Bíblia John Davis descreve essa complexidade da igreja da seguinte maneira: A igreja pode existir independente de ter uma forma visível, porque ela tanto é visível quanto invisível (Davis -2005, p.593).   Impõe esta descrição estarmos atentos ao fato inapelável de que no âmbito da sua visibilidade, ou seja, de seus marcadores históricos, temporais e institucionais é possível albergar tal grau de corrupção que sua própria identidade como igreja de Jesus possa naturalmente ser colocada em disputa. João Calvino, o reformador de Genebra ao tratar da natureza mista da igreja, no tocante a sua visibilidade disse o seguinte: Entretanto, nesta estão imiscuídos muitos hipócritas, que nada tem de Cristo a não ser o nome e a aparência (Calvino –2006, VL 4. P.33). A igreja é   espiri...

QUANDO O REALIZAR NÃO É SUFICIENTE – Ap 2.1-7

Servir a Deus é uma consequência natural e até esperada daqueles que experimentaram o poder redentivo do reino de Deus e da nova era redimida por meio do ministério messiânico de Jesus de Nazaret.             Na verdade, o impulso de seguir a Cristo é irresistível nos corações daqueles que sorveram verdadeiramente de sua graça regenerativa. Isso é magistralmente ilustrado na pessoa do ex-possesso de Gadara: 18 - Por isso Ele voltou para o barco. E o homem que tinha estado possesso dos demônios suplicou a Jesus que o deixasse ir com Ele . 19 - Mas Jesus disse que não. "Volte para o meio dos seus amigos", disse Ele, "e diga-lhes que coisas maravilhosas Deus fez por você; e como Ele foi misericordioso".   (Grifo meu) (Mc 5.18-20).             Servir, portanto, a Deus é testemunhar da nova vida ( zõe ) comprometida em sua essência e dinamismo ( dynamis ) no n...

Promissio e Missio estruturas fundantes para o teodrama da redenção

A redenção se bem compreendia em seus aspectos estruturantes e dinâmicos deve ser bem melhor discernida como um drama, a rigor teodrama. Antes de continuarmos é importante elucidar a afirmação feita, sobretudo, no que tange ao teodrama. O que ele é? O que se pretende comunicar ao utilizar essa categoria teológica? Teodrama é o falar/agir ( tatwort ) da trindade em função da desventura existencial humana a partir das categorias do drama sendo este um conjunto de atos dramáticos na linha do que afirmou Kevin J. Vanhoozer: No coração do cristianismo encontra-se uma série de palavras e atos divinos que culminam em Jesus Cristo: a divina e definitiva Palavra/Ato. O evangelho – autodoação de Deus em seu Filho por meio do Espírito – é inerentemente dramático, uma questão de sinais e discursos, ação e sofrimento (Vanhoozer, 2016, p.34).             Essa convicção é fruto da avaliação do que pensando teologicamente é a exist...

A Igreja comunidade de discípulos

O que é a Igreja? Pode-se dizer que ela é a comunidade de santos que como projeto divino foi concebida na eternidade e redimida pela graça de Deus no tempo transformada em uma sociedade de discípulos dentro do processo histórico como versão ou concretização do reino de Cristo. Etimologicamente a igreja pode ser descrita como os “chamados para fora”. Em grego ekklêsia que no grego clássico se referia a uma assembleia de qualquer tipo, religiosa ou secular. No uso do Novo Testamento era o equivalente das palavras hebraicas qahal e ‘edhah , significavam uma reunião ou assembleia, como as que o judaísmo tinha na sinagoga . Augustus H. Strong define a Igreja como o conjunto de pessoas regeneradas em todos os tempos e épocas, no céu e na terra (Strong, SP, 2009, VL 2, p.630). Distinções na natureza da Igreja         Do exposto ficam estabelecidos alguns pressupostos elementares que caracterizam a constituição ontológica da igreja. O primeiro de...