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Mostrando postagens com o rótulo Jesus

Natal e suas implicações teológicas práticas

  Numa noite estrelada, onde a esperança pairava no ar, a história da redenção se desdobrava sob a luz suave da Estrela de Belém. O cenário era simples, uma manjedoura em Belém, mas o significado transcendia as aparências modestas. Naquele momento singular, a visita encarnacional de Jesus começava a transformar os destinos da humanidade (Lc 2.8-20).   Ao nascer em meio a humildade, Jesus simbolizava a divindade se aproximando da fragilidade humana. Ele, que era o Príncipe da Paz, escolheu começar sua jornada terrena como um bebê vulnerável. A manjedoura, antes um simples lugar de repouso para animais, tornou-se o berço de uma esperança eterna. A redenção estava em curso.   A encarnação não era apenas um gesto divino distante; era a presença tangível do amor de Deus entre nós. Jesus, o Emanuel, Deus conosco, caminhou pela terra para nos guiar através das trilhas sinuosas da vida. Seu exemplo foi transformador, sua mensagem revolucionária (Mt 1.21-23).   ...

Por que somos cristãos?

  Houve um momento em que a igreja era simplesmente conhecida pelos, os do caminho (At 9.2; 16.17; 18.26;19.23;22.4; 24.14,22; 2 Pe 2.2). O termo indica um novo caminho da redenção em Deus inaugurado pelo messias, Jesus. Um dos textos que deixam bem elucidado essa verdade é onde Priscila e Áquila expõe (a ideia do termo: ekséthento era fazer uma exposição mais profunda, uma elucidação aprofundada) o Caminho para Apolo, ali eles esclarecem esse Caminho como um caminho para Deus: “24 Enquanto isso, chegou a Éfeso vindo de Alexandria, no Egito, um judeu chamado Apolo. Era um orador eloquente que conhecia bem as Escrituras. 25 Tinha sido instruído no caminho do Senhor e ensinava a respeito de Jesus com profundo entusiasmo93 e exatidão, embora só conhecesse o batismo de João. 26 Quando o ouviram falar corajosamente na sinagoga, Priscila e Áquila o chamaram de lado e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus.” (At 18.26). Esse era o motif (tema) do kerigma primitivo, no seu de...

Quando nos aproximamos erradamente de Jesus mas somos transformados por ele

  Ter uma relação adequada com Jesus é crucial para se viver as realidades redentivas da nova aliança ( kainê diathêkê ). Entretanto, é possível em meio a um conjunto de conjunturas se está próximo de Cristo, mas, mesmo assim, não conseguir realmente ser salvo. Temos vários personagens que viveram esse dilema existencial terrível, um desses que poderíamos utilizar como exemplo é o Jovem rico (Mt 19.16-30). Porém, o personagem que quero tratar desse assunto é Maria Magdalena. Ali vemos alguém que se aproxima inicialmente de Jesus, mas sem efetividade, muitos também cometem esse equívoco, claro que no caso de Maria, Jesus alterou essa realidade funesta.   1.     Quando nos aproximamos por via das emoções fora de seu lugar   Pode parecer estranho isso porque fica parecendo que as emoções não são necessárias na salvação e na própria relação com Jesus, são sim, mas no local indicado para elas, qual esse lugar? Sendo uma motivação e combustível para a ver...

O QUE A LUTA DE JACÓ NOS ENSINA?

A travessia do Jaboque ( maa’bar Iaboque ) foi um fato histórico, geográfico e temporal vivido pelo patriarca Jacó. Representa dentro do âmbito da trajetória existencial do patriarca sua fuga da exploração de Labão, seu sogro para o retorno divinamente orientado para sua família e o cumprimento da promessa divina sobre sua vida. Ao mesmo tempo, isso também representava um adiado, mas inevitável confronto com seu irmão e o motivo nuclear da sua fuga passada; isto é, o roubo do direito de primogenitura por meio de um embuste, de um logro levado a efeito por Jacó (Gn 27-28). Essa possibilidade de um reencontro, talvez difícil, ou problemático com seu irmão ressentido gerou em Jacó angustias e inquietações das mais variadas e abissais; sobretudo, por receio de um final desastroso e fatal para ele e sua família. A unidade textual (perícope) que compõe o capitulo 32 é a narrativa de como Jacó lidou com toda essa realidade, mas acima de tudo, como o Eterno lidou com ele, Jacó. Porta...

JESUS VEIO SALVAR O MUNDO, SERÁ MESMO?

É demasiado prosaico a afirmação ‘teológica’ difundida alhures na boca dos crentes: - Jesus veio salvar o mundo! Realmente Jesus veio salvar o mundo? Mas que mundo é esse? Porque se a referência é ao mundo fenomenológico ou ainda corporificado a declaração é absolutamente falsa carecendo de uma correção imediata. Isso por causa do fato indisputável de que esse mundo foi irremissivelmente amaldiçoado ( arurah hadamah ) por Deus na alienação humana (pecado) nos primórdios de sua existencia históricotemporal: 17 Então voltou-se para o homem e ordenou: “Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que Eu te proibira comer, maldita é a terra por tua causa! (Gn 3.17). Desse modo esse mundo será completamente conflagrado para dar lugar a um novo cosmo, como assinalou o Ap. Pedro em sua epístola: 7 Ora, por intermédio da mesma Palavra, os céus e a terra que hoje existem estão também preparados para o fogo, reservados para o Dia do Juízo e para a total destruição...

O QUE É ESTÁ UNIDO A CRISTO? primeira parte

A união da Igreja com Jesus é uma doutrina central e indispensável da fé fundamental cristã. A sua imprescindibilidade se dá por sua natureza fio condutor para a realização existencial da mediação sacrificial levada a efeito por Jesus. Quero dizer com isso que é por meio da união da Igreja com Jesus que sua obra messiânica ganha relevo experimental na vida de todos aqueles que por meio da fé neotestamentária se tornam partícipes de sua comunidade espiritual. Sem esse liame, esse link, por maior efeito que houvesse na obra de Cristo ela padeceria do mal da ineficácia material. Entretanto, a união de Jesus é com a Igreja. Isso é muito significativo. E demanda que entendamos os dois eixos fundantes dessa trinca assertiva: união e Igreja . O primeiro nos comunica o fato de que a vinculação do Logos não se deu com uma percepção com que os homens ao longo da história entenderam por igreja, nem tão pouco com as formais manifestações histórico, temporais e locais da igreja, nem ...

CONHECEREIS A VERDADE – RELIGIOSOS OU DISCÍPULOS?

A verdade ( alêtheia ) foi uma temática recorrente no discurso kerigmático de Jesus. A Verdade era pra ele a engrenagem piloto da superestrutura do que entendia ser o Evangelho. Na sua ideologia profético-sacerdotal-real a Verdade era tema de alto-relevo, caríssimo visto que por meio dela às realidades dinâmicas do reino de Deus ( Malkuth Yavé ) ganharam feições histórico-temporais concretas.             Jesus ensinava que através da Verdade o teoprojeto da Redenção ( apolytrwsis ) se concretizara em sentido escatológico-existencial. Nesta porção do evangelho de João (8.32-59) o assunto conglobante, predominante e nuclear é a Verdade como via de acesso ao discipulado cristão: sua natureza, dinâmica instrumental, implicações, enfim.             Neste texto tentarei obter algumas respostas em relação a essa Verdade: como conhece-la? O que ela realiza na vida dos que a co...

Quando uma igreja deixa de ser igreja

A forma como a Revelação nos apresenta a igreja de Jesus nos documentos canônicos da nova aliança força o reconhecimento de sua natureza dual, ambivalente: Invisível e visível. O Novo Dicionário da Bíblia John Davis descreve essa complexidade da igreja da seguinte maneira: A igreja pode existir independente de ter uma forma visível, porque ela tanto é visível quanto invisível (Davis -2005, p.593).   Impõe esta descrição estarmos atentos ao fato inapelável de que no âmbito da sua visibilidade, ou seja, de seus marcadores históricos, temporais e institucionais é possível albergar tal grau de corrupção que sua própria identidade como igreja de Jesus possa naturalmente ser colocada em disputa. João Calvino, o reformador de Genebra ao tratar da natureza mista da igreja, no tocante a sua visibilidade disse o seguinte: Entretanto, nesta estão imiscuídos muitos hipócritas, que nada tem de Cristo a não ser o nome e a aparência (Calvino –2006, VL 4. P.33). A igreja é   espiri...