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Famílias e tendência a ser vítima, uma relação estranha não acha?

 

Quando se analisa de modo mais técnico e conceitual a capacidade de se aproximar de relação predatórias, se pode descobrir que existem pontos de convergência, de semelhanças nessas construções afetivas que podemos entende-las como uma tendência a vulnerabilidade. Sim, exatamente o que falei. Existem certos padrões psíquicos que podem nos condicionar a, por assim dizer, uma condição de vítima, de vulnerabilidade emocional.

 É obvio que esse padrão também pode se dirigir para o outro lado; isto é, ser predador. Mas agora quero me concentrar nos processos que condicionam as lentes da mente a se aproximarem, a serem atraídas por perfis eminentemente abusivos. Existem vários processos ou agenciamentos, mas aquele que se apresenta como um dos mais efetivos é a família com o seu papel formativo da identidade.

 Ficou provavelmente assustado, isso porque em linhas gerais, o papel da família é curar e edificar a criança, não o adoecer ou torná-la propensa a ser vitima relacional, porém, existem famílias que são tão abusivas, nocivas, sua atmosfera vivencial tão carrega e poluída que elas alienam sua condição originária e se tornam instrumentos para má formatação desse tipo de personalidade frágil, volátil, dependente e fraca que são detectadas facilmente por predadores.

Notem que essa posição da família é uma inversão de sua função matricial, que seria estabelecer regras e modelos sociointerativos para seus membros. Essa função da família é paradigmática criando categorias para viver-a-vida-no-mundo.

Portanto, é nessa falha da família em desempenhar seu papel na síntese da identidade dos seus membros em formação que os predadores se aproveitam e impõem modelos abusivos em todas as categorias de existir destes tornando suas vidas uma zona de caça...

Aqui cabe a seguinte indagação, em que locais esses abusos são realizados?  Em todos os lugares (trabalho, faculdades, igrejas, escolas, na comunidade, enfim) porque em todos eles haverá predadores em silencio, abusando de sua hierarquia, poder econômico ou relacional, “autoridade moral”, sacerdotal, pastoral, percepção da fragilidade e vulnerabilidade do outro, só esperando...

É decisivo que a família reveja sua posição vital na construção da identidade e personalidade de suas crianças para que elas possam viver uma existência fortalecida, madura e cheia de alegria, blindadas e protegidas de todos esses condicionadores e tendências destrutivas e disfuncionais. SDG.

Dr Marcus King Barbosa

 

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