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Os pilares do avivamento autentico

 Quero aproveitar esse movimento de suposto avivamento que está ocorrendo na universidade de Asbury, nos EUA, precisamente no estado do Kentucky para abordar esse tema que reputo ser importante para igreja que é o avivamento. Para começar precisamos balizar nossa concepção de avivamento (revival), o que ele é? Avivamento é um termo teológico que designa um fenômeno interventivo divino que partindo do ambiente da igreja histórica em crise ou indiferença espiritual (pois, só há como avivar o que está morto ou em profundo comprometimento) de forma espontânea e extraordinária produz uma tremenda experiência de intimidade, de consciência da presença e temor de Deus juntamente com manifestações de quebrantamento emocional e aprofundada convicção de pecado. Segundo o evangelista Stephen Olford, o avivamento: É Aquela estranha e soberana obra de Deus no qual ele visita o seu próprio povo, restaurando-o, reanimando-o e libertando-o para receber a plenitude de suas bençãos (Olford -1998). Para Charles H. Spurgeon o avivamento é uma experiência que tem como seus personagens os cristãos, a igreja: É claro que o termo avivamento só pode ser aplicado a uma alma vivente, ou que já viveu alguma vez. Pois, ser avivado é uma benção que só pode ser apreciada por aqueles que têm algum grau de vida. Aqueles que não têm vida espiritual não são, e não podem ser, no sentido mais estrito do termo, os sujeitos de um avivamento. (Spurgeon - 1866).

Dessa maneira, o que colocamos até aqui pode ser se colocado dentro de alguns recortes que nos fornecem linhas mestras para entendermos de maneira mais profícua esse grande tema que é o avivamento e suas marcas mais fundamentais. Quais seriam esses recortes: a) – Soberania divina; b) – espontaneidade; c) – sobrenaturalismo; d) –Profunda convicção de pecados; e) - transformação espiritual e existencial.

Daí que a partir desses marcadores podemos entender que o avivamento autentico é uma livre atuação do Espírito vindo com poder sobre a igreja, igrejas ou mesmo denominação em uma região ou país trazendo vida espiritual, uma percepção densa transcendente da presença de Deus, uma profunda convicção de pecados tão esmagadora que bane todo estado de amortecimento espiritual. Daqui percebemos uma implicação preliminar, isto  é,  que não há método, sistema que produza por si mesmo o avivamento.

De fato, avivamento não está nas mãos da igreja ou de algum líder relevante, não se agenda o avivamento, ele está nas mãos divinas é uma agenda celestial. Avivamento está no calendário divino, ocorre apenas segundo sua determinação soberana, diferentemente do que ensinou a tempos a traz evangelista e pastor Charles Finney e que acabou por consequência de seu dimensionamento popular sistematizando e caracterizando muitos pensamentos sobre avivamento como se ele fosse fruto de métodos e princípios adequados num viés tipicamente antropocêntrico, que em Finney tinha um pano de fundo pelagiano e arminiano é importante sublinhar.

Outrossim, no avivamento Deus se manifesta de maneira espetacular e supernatural.  O Espírito realiza sua obra no interior, no coração numa plataforma mais profunda e densa, de modo que a visão da nossa falência e pecaminosidade ganha dimensões de mais largo espectro, uma convicção de pecados devastadora, das que os grandes puritanos chamavam de agonia do arrependimento (metanoia). Mas não apenas isso, há uma busca sôfrega por mais intimidade com Deus, uma necessidade de comunhão mais alargada com Cristo e sua obra redentora que descongela o coração, expulsa a apatia e indiferença.

Quero afirmar que no avivamento existe uma busca desinteressada, livre dos condicionamentos que normalmente dirigem a busca por Deus nos nossos tempos. É procura de Deus por Deus, por sua majestade e grandeza, um sentimento de necessidade intensa da pessoa de Deus, de sua face santa, gloriosa, sublime, majestosa...

Nesse sentido é claro que o avivamento altera, transforma, modifica a vida da igreja de forma avassaladora e extraordinária: enchimento dos cultos, sobretudo, o de oração, repulsa do mundanismo, fervor piedoso, busca e obediência a pregação, experimentação responsiva das ordenanças, enfim. Só que não fica apenas nessa esfera, o avivamento se desloca para além dos limites fronteiriços da igreja produzindo entre os não crentes uma atmosfera de testemunho, milagres, perdão, cura, salvação ...

Portanto, dentro desse transfundo contextual podemos destacar que o avivamento possui alguns elementos pivotais, fundamentais que o resumem dentro de uma categoria de indiscutível legitimidade bíblica. Quais são esses pilares, essas características?

A primeira dessas características é o senso da presença e transcendência divina. O avivamento promove uma relação transcendental com Deus marcada pela agudeza de sua presença e santidade, por assim dizer, uma teofania, que afeta em níveis sistêmicos toda a realidade vivencial da igreja que começando por uma percepção da verdadeira gravidade de seu pecado como rebelião contra Deus, prossegue para arrependimento, quebrantamento vigoroso, confissão de pecados, reconciliação e busca desesperadas do perdão divino.

Portanto, a luz dessas atuações, não é possível, nem de longe que qualquer movimento reivindique direta ou indiretamente ser um avivamento legitimo, sem uma experiência de absoluta redefinição do lugar de Deus na vida dos crentes e da qualidade teocêntrica dessa experiência que reformata a base de nossa relação com Ele, muitas vezes saturada de egoísmo, narcisismo e humanismos. Vejamos o entendimento de Hernandes Dias Lopes sobre avivamento: ação sobrenatural de Deus na vida da sua igreja trazendo quebrantamento, arrependimento, fome da palavra, sede de oração, sede de santidade (Lopes – 2022).

Uma segunda marca do avivamento é a transmutação que ele realiza nas vidas daqueles que o experimenta. Há uma ação sobrenatural de Deus na vida do seu povo trazendo anseio da Palavra, fome de oração, sede de intimidade, procura de santidade. Entenda isso, o avivamento empodera e vitaliza a igreja. Por consequência, seu tecido relacional e interativo é exposto, seus equívocos denunciados, seus erros expostos, sua nudez revelada e em seu lugar há um trabalho visceral do Espírito, nos recônditos mais profundo dos afetos, das emoções, daí multiplicam-se os pedidos de perdão, de reconciliação entre os membros, uma procura sincera de comunhão, de irmanamento, de maneira que os relacionamentos são totalmente restaurados de forma extremamente graciosa e radical.

Outra feição reveladora do avivamento é a transposição dessa experiência vivida pela igreja para o mundo. Ou seja, o avivamento verdadeiro é um fenômeno que não pode ser domesticado, restringindo, mas avança, se lança para além dos limites, horizontes e muros da igreja. Russell Shedd é pontual nesse sentido: Um avivamento que não cria uma renovada urgência para completar a tarefa que Jesus deixou para sua igreja não é digno desse nome (Shedd - 2004).

 Destarte, há um desdobramento do avivamento através da igreja na região, na cidade, muitas vezes no pais, como foram o avivamento no país de Gales, na Nova Inglaterra, na Coreia, enfim, gerando libertação de vícios, cura dos abusos emocionais, psicológicos e físicos, da quebra de confiança, enfim. Nessa experiência promovida pelo dinamismo do avivamento na missão da igreja, os grilões do poder satânico são arrebentados e uma maravilhosa e sincera procura por Jesus ganha status de primeira grandeza, de forma que um poderoso testemunho de Deus por meio da igreja reavivada é firmemente estabelecido. Fato é que quando Deus aviva sua igreja isso repercute no mundo. Dito de outra forma, a igreja reavivada, cheia de Deus, cheia do Espírito, cheia do Evangelho impacta o mundo de maneira extraordinária.

Bem, diante desses pilares constitutivos apresentados panoramicamente até agora do que seria um avivamento autentico, quais os elementos unificadores e balizadores que todo avivamento deveria ter como fundamento irredutível? Minha resposta consiste na reafirmação aplicativa do que disse até esse momento, ou seja, o avivamento genuíno precisa exibir: a) - Busca da presença de Deus, b) - ênfase na pessoa e obra de Jesus; c) – arrependimento experimental; d) – Busca por santificação; d) – Busca produtiva pela Palavra; e) – Busca por oração; f) -  Ênfase na consciência do pecado.  Falando sobre as marcas essências e linearizadora no avivamento escreveu Augustus Nicodemus Lopes: O que caracteriza o verdadeiro avivamento? Centralidade da Palavra de Deus, centralidade da pessoa bendita do Senhor Jesus, consciência do pecado, arrependimento, confissão, mudança de vida e santidade. Creio que essas são as características de um verdadeiro avivamento espiritual (Lopes - 2023).

Assim, sem esses qualificadores de fato a experiência pode até ser chamada de avivamento, mas nada mais é do que histerismo religioso, manipulação emocional, jogada de marketing, ou qualquer outra coisa desse naipe, mas não é o avivamento autentico. Espero que esse despertamento em Asbury seja um desses avivamentos que pontilharam a trajetória histórica da igreja. E que também, o Deus do avivamento possa nos dá um mover tão poderoso do Espírito em nossas igrejas, no nosso país para a glória dele. SDG.

Dr Rev. Marcus King Barbosa

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