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Mais um ano Novo, o que fazer?

  O rito de comemorar a entrada de um novo ano é comum e vivenciado por muitos povos, do seu jeito a muitos anos, por exemplo, o povo chinês. O problema é que essa prática acabou se tornando algo popular, mas desconectado com a realidade, assim como hábitos vazios de reais significados e efetividade prática, experimental, como mudar isso? Primeira e essencial coisa que devemos entender é que a passagem de ano é, de certa maneira, um caminho, uma via de atuação simbólica (Lacan ensinava que vivemos em nossa dinâmica mental um nó: real, imaginário e simbólico) para contribuirmos de modo psiquicamente significativo nossa jornada no mundo, ou seja, é algo que pode ser altamente relevante. Como isso seria possível? Simples, quando estabelecemos diretrizes efetivas, drivers diretores ( director drivers ) para atuarem como codificações, reformatando ( reset ) nossa mentalidade e a partir dela transformando nossos pensamentos (tanto conteúdo como dinâmica), emoções primárias e sentimento...

Famílias e tendência a ser vítima, uma relação estranha não acha?

  Quando se analisa de modo mais técnico e conceitual a capacidade de se aproximar de relação predatórias, se pode descobrir que existem pontos de convergência, de semelhanças nessas construções afetivas que podemos entende-las como uma tendência a vulnerabilidade. Sim, exatamente o que falei. Existem certos padrões psíquicos que podem nos condicionar a, por assim dizer, uma condição de vítima, de vulnerabilidade emocional.   É obvio que esse padrão também pode se dirigir para o outro lado; isto é, ser predador. Mas agora quero me concentrar nos processos que condicionam as lentes da mente a se aproximarem, a serem atraídas por perfis eminentemente abusivos. Existem vários processos ou agenciamentos, mas aquele que se apresenta como um dos mais efetivos é a família com o seu papel formativo da identidade.   Ficou provavelmente assustado, isso porque em linhas gerais, o papel da família é curar e edificar a criança, não o adoecer ou torná-la propensa a ser vitima relac...

Lidando com os gatilhos

  Todos transtornos tem uma forma de inicialização, que designamos de gatilhos. São eles que atualizam em nós a dinâmica da psicopatologia em sentido experimental. Que fazemos em relação a estes gatilhos, como lidar com eles? Primeiro, associar quando eles acontecem, se a tarde, à noite, depois do trabalho ou antes, enfim. Lembrem-se, assim como a mente trabalha com padrões esses vírus psíquicos também agem por padrões e frequencias. Segundo, entender a que eles respondem, reagem, qual seu télos (propósito); isto é, são proteções do sistema bancados pelo Eu fiscalizador, nesse sentido mecanismos de defesa. Ou são reações a conjunturas ou situações existenciais, tipo quebra de confiança, abusos psíquicos e sexuais, rejeições, enfim, ou ainda, resposta a uma experiência traumática? Terceiro, estabelecer um entendimento claro e efetivo dessa linha de movimentação dos gatilhos e antecipá-las nos seus primeiros movimentos, por meio de uma reação críticoemocional as suas tentativas...

Os problemas da infância e a Terapia Ressignificativa

  Muitas de nossas atitudes e reações são atualizações e compensações distorcidas de ausências, carências ou fixações da nossa infância, no sentido da relação simbólica familiar na formatação da nossa psicohistória. Quero afirmar com isso que certas posturas que assumimos são condicionadas por esse legado agregado a nossa identidade formada. Por exemplo, uma conduta de autocobrança pode ser uma condição patológica do eu fiscalizador (superego) formatado por uma atitude de cobrança excessiva dos pais. Ou um vício constrangedor como incursão de nosso eu instinto (Id, Isso) na sua luta simbólica contra o eu diretor. Ou ainda, uma postura de incerteza, falta de firmeza de muitos homens em suas relações afetivas pode ser fruto de uma autopercepção fragilizada do eu diretor (ego) ocasionada por uma mãe opressora, onipotente e manipuladora, o chamado complexo de Orestes, que bem acentuou o prof. Massimo Recalti e tomo nesse ponto como ilustração do ponto em questão: “No seu centro, não ...

Precisamos amadurecer

  Umas das coisas que nos diferencia da infância é a percepção clara de nossa vulnerabilidade, fragilidade e a firme persuasão de nossas limitações. Quando criança, geralmente pensamos que somos imbatíveis, de que sempre venceremos e nunca seremos derrotados, como escreveu Madeleine L’Engle: Quando éramos crianças, pensávamos que quando crescêssemos não seriamos vulneráveis, mas amadurecer é justamente aceitar a vulnerabilidade – estar vivo é ser frágil (L’Engle -2007).   Na verdade, esse desanimo extremo e angustia que muitas vezes satura nosso interior, subjetividade quando passamos por conjunturas e circunstâncias desagradáveis, hostis e antagônicas, faz parte, são resquícios de uma temporalidade psíquica inicial de nossa formação identitária que insiste em permanecer atuante e dinâmica e forja esses elementos imaginários e simbólicos. Porém, precisamos, para crescer ou mesmo se erguer compreender que ser maduro e aceitar que a existência-no-mundo (Existenz in der Welt...

A função do Pensamento na formação de alguns transtornos psíquicos

  Os pensamentos são elementos integrantes do universo psicológico. Eles são manifestações da nossa identidade, completamente integradas a ela. De modo, ninguém pode viver sem pensar, que é então uma característica constitucional do ser humano, é parte indissociável de sua humanidade. Dessa forma não o pensamento é algo extremamente relevante para a experiência humana em todos os seus multiformes níveis de realidade. Entretanto, há uma forma em que os pensamentos assumem na vivencia dentro do mundo interior subjetiva que é extremamente problemática. Ou seja, afetados em sua formação ulterior dentro da estrutura de significado os pensamentos começam a exibir uma atuação desadaptativo, desagregadora e autômata que se transformam em uma via alimentativa que constituem certos transtornos psíquicos, como por exemplo, TOC, TAG, Síndrome do pânico, enfim. Assim, precisamos de uma tomada de decisão que lide apropriadamente com esse papel dos pensamentos na dinâmica formativa desses t...

Necessidade de autoconhecimento

  Se quisermos uma transformação singular de nossos relacionamentos é urgente e necessário um compromisso com o estudo, e análise de nós mesmo, em seu senso pleno: ideias, sensações, sentimentos e emoções e escolhas. Qual o motivo dessa afirmação? Se não nos conhecemos de verdade. Se não entendo os ditames do nosso íntimo como poderemos compreender e nos conectar com os outros? É necessário entender que viver a vida no mundo é uma questão indisputável de relações, conexões e contextos e muita gente ainda não conseguiu enxergar isso. Portanto, se autoconhecer é fazer prova concreta de que existir é vivenciar uma rede de interconexões, que eu chamo de <<universo comunicativo de autorrelacionalidade>>. Essa rede que desenha nossa jornada existencial pressupõe o autoconhecimento em todos seus integrantes, ou teremos uma séria e crônica flutuação entre desequilíbrio e equilíbrio, que designamos de doença e crises e que afetam nossa vida como um todo e nossas relações no me...