Conversão (metanoia, episthrephw) é a contraparte humana, histórica, temporal, visível da obra interior e divina do novo nascimento. Pensando nisso é possível se equivocar quanto a verdade e realidade desse fenômeno evidenciativo da conversão na vida de tal sorte que ela não descreva em essência os seus frutos e poder? Claramente sim, inclusive o próprio Mestre da Galileia falou sobre isso no quadro da belíssimo de retórica santa: 21“Nem todos que me chamam: ‘Senhor! Senhor!’ entrarão no reino dos céus, mas apenas aqueles que, de fato, fazem a vontade de meu Pai, que está no céu. 22 No dia do juízo, muitos me dirão: ‘Senhor! Senhor! Não profetizamos em teu nome, não expulsamos demônios em teu nome e não realizamos muitos milagres em teu nome?’. 23Eu, porém, responderei: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim, vocês que desobedecem à lei!’.” (Mt 7.21-23). Aqui a dupla expressão indica que havia um relacionamento sério, pelo menos formal, mas que segundo Jesus não era real, visto que o que importava não era uma mera reivindicação, mesmo que sobre a égide de eventos miraculosos e sobrenaturais. O que importa segundo Jesus, no caso da conversão é uma relação real com ele marcada por obediência a sua vontade.
Destarte o que seria essa
vida que exteriorizasse a presença da conversão? Primeiro seria uma vida onde
houvesse uma mudança significativa e radicalmente transformadora da vida em seu
sentido mais amplo: pensamentos, ações, enfim, uma metamorfose que abarca o todo
do ser e da experiência do convertido, não é uma aproximação religiosa
superficial, mas um maremoto tsunâmico: “6 Procurai a Yahweh enquanto é
possível encontrá-lo; invocai-o enquanto está próximo. 7 Abandone o ímpio o seu
caminho, e o homem mau as suas maquinações, e volte para Yahweh, pois, ele terá
misericórdia dele; retornai ao nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu
perdão.” (Is 55.7). Comentando essa passagem afirmou John Oswalt: Nós humanos
queremos os dons divinos, porém estamos sempre temerosos de deixar o Doador
tomar posse de nossas vidas, para não perdermos nosso ilusório senso de
controle (Oswalt -2011, p.509). Aqui em outra passagem Jesus reafirma essa
verdade de uma conversão holística que envolve toda a faceta da vida humana
arrependida: “15 Posto que o coração deste povo está petrificado; de má vontade
escutaram com seus ouvidos, e fecharam os seus olhos; para evitar que enxerguem
com os olhos, ouçam com os ouvidos, compreendam com o coração, convertam-se, e
sejam por mim curados’. 16 Mas abençoados são os vossos olhos, porque enxergam;
e os vossos ouvidos, porque ouvem.” (Mt 13.15-16). Notem que Jesus associa
conversão a uma vida tocada por um profundo esclarecimento mental e emocional
que faz ouvir, ver, enxergar. Penso que Anthony Hoekema está certo quando defini
conversão como um retorno total do homem, de sua vida para Deus: A conversão
pode ser definida como o ato consciente de uma pessoa regenerada, no qual ela
volta-se para Deus em arrependimento e fé. Isso envolve um duplo desvio: para
longe do pecado e na direção do serviço de Deus. (Hoekema – 2011, p.117).
Ainda tratando dessa vida
saturada do poder da conversão podemos destacar sem receios que é uma existência
onde se pode perceber a exuberante atuação
do Espírito Santo que ganhou papel de relevo após Pentecoste (At 2.1-47). João
trata melhor desse trabalhar e ofício do Espírito no seu evangelho (Jo
14.16-17; 16.7-11). Sobre esse papel de crucial importância na conversão
destacou D.A.Carson: O Pentecoste transformou essa limitação e milhões de
pessoas foram trazidas a uma feliz submissão ao Senhor Jesus Cristo e a uma crescente
obediência pelo poder do Espírito que ele concedeu (Carson-2007, p.535).
Aqui nesse princípios que
apontam para uma vida que apresente a conversão como resultado da obra
salvadora de Jesus trazendo dentro de nós a regeneração. Vimos que uma vida
convertida traz saborosos e doces frutos. Que possamos ter essa rica lavoura em
nossas vidas e relações. SDG.
Rev. Marcus King Barbosa
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