Pular para o conteúdo principal

Praticando a Verdade

 

 A Verdade (alêtheia, ebmet) é um termo usado na revelação, notadamente no novo testamento para sublinhar a revelação do caráter de Deus e suas atividades salvíficas por meio da encarnação do Lógos. No Novo Dicionário de Teologia Bíblica editado por T.D. Alexander a Verdade é relacionada com Deus e Jesus e seu movimento de transformação sobre a humanidade caída:

Em toda as Escrituras, a “verdade” refere-se ao caráter de Deus, seu trato com as pessoas e a maneira com que elas devem tratar os outros. O NT ressalta a verdade conforme se encontra em Jesus Cristo e seu evangelho, e destaca seu poder de transformar a vida das pessoas (Novo Dicionário de Teologia Bíblica, Vida Nova, São Paulo, SP, 2009, p.1250).

Sendo assim, a Verdade veio em sua forma plena e final por meio de Cristo inaugurando a nova era redimida (olam habá) e um novo jeito de Deus tratar como os seres humanos: “15 João testemunha sobre Jesus e exclama, dizendo: “Este é Aquele de quem eu disse: Ele, o que vem depois de mim, tem a excelência,8 porquanto já existia antes de mim.” 16 E da sua plenitude todos nós temos recebido, graça sobre graça. 17 Porquanto a Lei foi dada por intermédio de Moisés; mas a graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo. 18 Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (Jo 1.15-18). Tratando sobre essa cristologia da Verdade destacou Andreas J. Köstenberger:

O contraste entre a Lei, por um lado, e a graça e a Verdade, por outro, não é que a Lei era má e Jesus era bom, antes, tanto a entrega da Lei como a vinda de Jesus Cristo marcam etapas nas quais Jesus alcança a humanidade. Jesus, no entanto, marca a revelação final e definitiva da graça e da verdade de Deus (Köstenberger-2022).

Dessa maneira, essa Verdade que se exterioriza no todo do ensino e existência de Cristo precisa ser obedecida para que as profundas transformações em nossa existência, no seu centro constitutivo (1 Pe 1.22).

Desse modo, a Verdade como princípio ativo dentro de nós pós-regeneração através da execução do Espírito é o fundamento para a nossa adoração: “23 Mas está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. O Pai procura pessoas que o adorem desse modo. 24 Pois Deus é Espírito, e é necessário que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4.23-24). Hernandes Dias Lopes tratando da natureza da adoração pontuou: Jesus respondeu que o importante não é onde, mas como e quem adorar. A verdadeira adoração a Deus é em espírito e em verdade. E de todo o coração e também prescrita pela Palavra de Deus (Lopes – 2015). Essa Verdade nos santifica nos ajustando ao padrão e valores do reino de Deus (Jo 17.17) como sal e luz desse mundo caído (Mt 5.13-16). Ela também permite que cresçamos espiritualmente (Ef 4.15).

De sorte que a Verdade está totalmente comprometida com o trabalhar executivo do Espírito Santo, o nosso Parácletos guiando, edificando e protegendo a comunidade de discípulos, além de trazer o senso e realidade de sua presença conosco: “15 Se vocês me amam, obedeçam a meus mandamentos. 16 E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Encorajador, que nunca os deixará. 17 É o Espírito da verdade. O mundo não o pode receber, pois não o vê e não o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele habita com vocês agora e depois estará em vocês.” (Jo 14.15-17). Infelizmente a relação dos homens para com a Verdade de Deus tanto em sua revelação natural (Rm 1.18-25) como a revelação escrita são lamentáveis e odiosas, atraindo a ira justa e santa de Deus sobre eles mesmos como destacou Augustus Nicodemus Lopes: Como a humanidade chegou nessa situação de impiedade e perversão? Paulo diz que os homens “impedem a verdade pela sua injustiça”. A verdade é o conhecimento que Deus manifestou de si mesmo em nossa consciência e por meio da natureza (Lopes-2020).

Fato é que os homens em rebeliões contra Deus odeiam sua Verdade, são privados de sua luz no entendimento e resistem a sua capacidade de iluminar e salvar (2 Ts 2.12-13; 1 Tm 6.5). Paulo advertindo seu bispo Timóteo salientou como a Verdade será rejeitada e substituída pela igreja apóstata antes do retorno (parousia) de Jesus: “7 Elas estão sempre aprendendo, mas jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade. 8 E à semelhança de Janes e Jambres que se colocaram contra Moisés, esses também se opõem à verdade. São homens que tiveram suas mentes corrompidas; são reprovados na fé” (2 Tm 3.7-8).

Neste momento precisamos dizer que como salvos, nascidos de novo e alvos da transformação que o Espírito está cultivando em nosso interior e relacionamentos (Gl 5.22-25). É imperativo que amemos e pratiquemos em nossas vidas, missões, pensamentos, sentimentos e relações a Verdade para que fique mais que evidente o poder e a glória dessa salvação. Pense nisto. SDG.

Rev. Marcus King Barbosa

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

lições da morte de Sansão

  Pregamos hoje sobre a morte de Sansão ( Shimshon ). Personagem ambíguo esse Sansão. Vida marcada indelevelmente por contrastes; nesse sentido, não muito distinta da nossa. Fato é que Sansão viveu uma vida de profundas negações de sua vocação como nazireu ( n´zer ). Não manteve em concretude seus votos; ao contrário se arrojou em uma busca celerada de experiências e desejos (Jz 14. 8-9; 16.1).  Essa trajetória descomprometida de Sansão ganha seus contornos finais na traição de Dalilá, a medida que em ele revela-lhe seu ‘segredo’, o que lhe fazia o homem poderoso que era, a resposta da sua extraordinária força física, que de imediato é por ela aproveitado e o poderoso Sansão é subjugado, vencido e humilhado com a cegueira e escravidão (16.17-21).  Outrossim, na minha mensagem destaquei que toda vida infiel da Sansão é alterada na vivencia da sua morte. Nela Sansão vive em nível integral uma existência que deveria ter pontuado todo seu existir (16.28-30). Na sua partida, a...

ENTENDENDO E LIDANDO COM O CONSUMO DE COMPRAR

  Nossas ações e reações são resultados de nossos compromissos valorativos, lu seja, nossa indústria de valores. Afirmo então, que nosso comportamento é uma afluente das nascentes dos nossos: desejos, pensamentos, sonhos... Dito isso, o consumo exacerbado, compulsivo, patológico , a tal da “mania” de comprar é fruto de uma reação subjetiva do nosso Self às circunstâncias desagradáveis, situações perturbadoras, relações abusivas, enfim, todas emocionalmente significativas e angustiantes. Aqui estabeleço sem dúvidas que o impulso qualificado de consumir é um mecanismo de defesa do ego . Tem formação clinicamente reativa. Aqui precisamos conceituar o que seja o papel dos pensamentos obsessivos. Estes tem o condão de elevar de maneira catastrófica os níveis de ansiedade dentro do indivíduo, que impõe ao cérebro a execução de vários mecanismos de execução que estabeleçam o alivio da tensão gerada pelos pensamentos obsessivos. Aí entra o consumismo compulsivo por comprar. Desse ...

Possibilidades da angústia na terapia

  Jacques Lacan enunciou que: o paciente não sente angústia por falar na terapia, sente angústia por ter que escutar o que disse . Aqui temos uma grande oportunidade de ouvir no site analítico a instancia do simbólico, na figura do in-consciente e seu trabalho de garimpagem trazendo a superfície o que está no universo submerso de nosso self ou que foi para lá e está retornando. Quais seriam essas oportunidades? Primeiro a possibilidade de exteriorização do saber que não-se sabe a medida que se escuta o que se diz. Ou seja, toda vez que nos expressamos em terapia, estamos diante da oportunidade de trazer à tona conteúdos profundos de nossas profundezas e zonas abissais. Desse modo, a angústia brota não em está falando, mas sim em está se ouvindo, a surpresa da escuta. Segundo a possibilidade de enfrentamento das áreas cinzentas nebulosas de nosso caráter , sorvendo verdadeira transformação que ocorre quando somos capazes de encarar aquilo que emerge desse processo, enfrentando ...