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Educar para a Existencia, para o mundo como isso é possível?


O maior problema da educação moderna é a capacidade de fornecer limites para seus atores na jornada educacional. Cada dia mais esse tópico fundamental para um a educação que queira fazer jus a esse digno nome fica mais remoto; motivo? O limite tem sido um elemento bastante ausente.  Quais são os fundamentos para uma educação que consiga ser tanto um veiculo para a formação intelectual, profissional, social, enfim,  de uma criança, mas que concomitantemente também forneça limites  que a torne uma pessoa equipada emocional e existencialmente para viver-com? Grande desafio, para mim pauta o próprio propósito do  educar que de modo livre poderíamos dizer que é a arte e ciência de aperfeiçoar e desenvolver as faculdades intelectuais morais e físicas do ser humano. Afirmou John Dewey, a  educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida (Dewey - 1916).

 Esse tipo de educação para vida (Bildung für das Leben), não só para a faculdade, para vida não só para o trabalho, não pode acontecer às espessas de uma forte cultura de limites existenciais. Essa educação com limites, freios e  contrapesos possui entre outros um grande eixo que sustenta sua superestrutura. Esse eixo principiativo e regulamentador dos  demais eixos é o COMPROMISSO COM UMA FILOSOFIA DE VALORES. 
 
Isso parece até um xingamento na cultura escolar docente saturada pelo pressuposto pós-moderno que evita a todo custo qualquer referencia à referenciais no processo de educar. Não é de se surpreender que a coisa esteja como está. Como saber para onde ir se não temos o endereço? Como navegar sem os mapas náuticos? De fato, a escola precisa ter um projeto de educação para seus educandos.E um item desse projeto é o limite. Penso que as sábias palavras de Içami Tiba servem para o momento, disse ele que durante muito tempo se ouviu falar: “ Quem ama, cuida!; “Quem ama, provê!; “Quem ama, perdoa!” etc. Nossos adolescentes estão cuidados, providos e perdoados, mas não tem educação (Tiba -2010). Entenderam, onde está a raiz formativa do caos na educação sobre tudo quando se diz respeito a pré-adolescente e adolescente?

 Portanto, quem quer repactuar uma educação que forme gente, pessoas, precisa  negar a proposta da relativização dos valores.  Na verdade, uma educação que se proponha estabelecer limites precisa ter bem sólida um sistema de pressuposto que norteei seu caminhar educacional. Nenhum individuo  é livre de sistema de percepção da realidade (cosmovisão). Todos nós temos ideologias profundamente arraigadas em nossa bússola existencial. Todos começamos a construir   a partir de nossos preconceitos. O próprio Platão reconhece isso quando salienta que só chegamos a epistemes (ciência) partido da doka (opinião) que nós conceituaríamos hoje de preconceito. Essa é a conclusão lógica de Theodore Dalrymple em seu fantástico livro em Defesa do Preconceito, dizia ele que Derrubar determinado preconceito não significa destruir o preconceito enquanto tal. Na verdade, implica inculcar outro preconceito (Dalrymple – 2007).

Esse sistema de valores é construído a partir de quatro marcadores agenciatórios: a) -hereditariedade; b) - cultura familiar; c) -  Condicionante sociocultural; d) - condicionante subjetivo. Segundo o afamado psicólogo americano Mark W. Baker, a sólida base de nossa visão de mundo e também o grau de sua profundidade são formados na infância. Essa visão é depois elaborada e aperfeiçoada, mas na essência não se altera (Baker -2005).

 Com isso em  tela a escola precisa fornecer uma linha mestra educacional que propicie a maturação ou correção desse sistema de valores esposado por seus educando dependendo da necessidade do caso em exame. Essa linha mestra precisa formatar os caminhos didáticos para a aplicação prática, concreta e pedagógica dos limites/pactuados na comunidade escolar que consiga dar papel de relevo a dignidade do outro e a maturidade existencial. Em suma uma filosofia da para o bem viver.  

Marcus King Barbosa – Psicanalista Clínico, Teólogo, Filósofo da Cultura e Aprendiz de Discípulo

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